sexta-feira, 5 de março de 2010

Mentiras sinceras...



Talvez a emoção contida num primeiro beijo possa explicar de forma clara e eterna, o quão verdadeiro tem tal ato...
Sabe aquele sentimento que nos corrói por dentro quando aos 12, 13 e 14 anos, encontramos aquele garoto que faz o nosso coração bater mais rápido, no corredor da escola... e quando ele nos dá aquele oi que nos valerá para o mês inteiro...

Lembrar dos tempos de escola, é algo que a faz sentir saudade, quase que um "vamos fazer um filme", na voz do Renato Russo...

E essa era a música que embalava o seu coração por aqueles corredores, os eternos pedidos para ir beber água, ir ao banheiro, ou até mesmo fazer a tarefa fora da sala, tudo para ver os garotos "mais velhos"...

Não ele não era um Deus Grego, não era forte, nem estava entre os mais cotados da escola... não era nem simpático, mas era o seu "primeiro amor"... E já se sabe como são as mocinhas nesta idade... aos treze todas já tinham dado o seu primeiro e esperado beijo... e ela ainda não...

Aos 14 anos numa festa gelo, sem cuba libre e na vitrola whisky à go-go... até aposta rolou... e ela mal conseguia se conter de que era o pivô de toda a situação....
Ela fazendo panca de "Não me toque! Já sei de toda aposta!", mas no fundo, no fundo era mais para: "Play, Sam! As time goes by..."!

Quando deu por si ele estava a sua frente pedindo para conversar... deu uma olhada ao lado, ao fundo da cena que ali se instalara... viu seus amigos fazendo micagens e caretas por trás dele...
E lá foi ela de mãos dadas ao seu "primeiro amor", que para ela era sim, quase um artista de cinema...

Ah! Sim! Sem esquecer as dicas e observações das amigas: o olho no olho, o pedido de desculpa se por acaso de bater os dentes... e assim foram os momentos inesquecíveis do seu primeiro beijo... o garoto de sapo virou príncipe...

Mas o que quer se discutir aqui são emoções verdadeiras ou não que aconteceram após as emoções do 1º beijo de cada mulher...
Depois de buscar respostas de perguntas já preclusas... se questionou quando é que um "eu te amo" lhe foi verdadeiro...

Para ela, hoje nenhum dos ditos e não ditos parecem reais... Mesmo aquele escrito no papel de bala... Ou aquele dito ao telefone antes do crédito acabar... ou aquele duas semanas após o pedido de namoro... Fora preciso ouvir repetidamente "maior abandonado" para acreditar... as mentiras sinceras naquela época muito lhe interessavam..
.
Hoje, tais mentiras sinceras não mais lhe interessam... pois foram tantas... que não tem como mais nada ter valido a pena, nem mesmo o reaparecimento repentino e cheio de pedido de desculpas, motivo qual a levou a pensar em tudo isso...
Talvez, ela não queira que transpareça um sentimento de amargura, embora não há como negá-lo... Talvez, ela tenha permitido além do que poderia permitir e assim esperou um respeito que não existia..
.
Fez das mentiras um escudo... e das "pequenas poções de ilusão" motivos para mostrar aos outros o quanto era "amada"...

Pensou que talvez é preciso uma escola ou um curso intensivo em Vinicius de Moraes para saber como se vive um grande amor, que "é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro"...

Não é preciso cantadas baratas, ou mentiras sinceras... e ainda assim, esse pensamento pequeno de uma boa noitada, pois do contrário os únicos resultados que serão conquistados... são os de corações machucados, com a única intenção de machucar...

E sua única preocupação é de que quando forem verdadeiras aquelas palavrinhas mágicas, ela não consiga reconhecer o sentimento puro, tal qual aquele que sentiu quando do seu primeiro beijo... e ter "a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida".

Hoje, enquanto mulher, ela revive os momentos que lhe foram verdadeiros, em busca do verdadeiro sentimento que todos dizem se chamar “amor” lembra- se dos poemas tirados dos livros, que já estão amarelados pelo tempo dentro do diário, q eu não é mais aberto por medo de recordar as lembranças tão maravilhosas, verdadeiras e simples, que hoje fazem falta.

Ela lê o poema em voz alta como que, se pudesse voltar no tempo e reviver ou simplesmente viver de uma forma diferente os momentos tão bons que um dia aconteceram e imagina “será que eu realmente sei o que é o amor?
Ou ainda, será que eu sou capaz de viver um grande amor?”

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tudo tem seu valor

Como eu gostaria de gritar pro mundo o que sinto
Libertar meu coração dessa solidão.
Qual o preço da liberdade?
Ser livre é ser feliz,
Qual o preço da felicidade?
Felicidade não se compra, se conquista.
Ser feliz é amar.
E o  amor, qual o seu valor?
Amor, tão louco amor, que maltrata e consome ou seriamos nós que o aprisionamos?
O coração que é livre, procura o amor que o complete,
E o amor ali faz morada, 
mas antes chora, luta, sofre.....
A recompensa desse sofrimento é a mais completa forma de êxtase, delírios e plenitude que o amor propícia.
Não somos nós que encontramos o amor, é o amor que nos encontra, torna-se parte de nós e ali permanece,
cresce à medida que é cuidado,
sobrevive quando é protegido,
adormece quando é esquecido.
E morre quando é abandonado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Receita de ano novo





Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
 

 Carlos Drummond de Andrade

O Menestrel

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.


William Shakespeare

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Casinhas de bichos

Vejam só como os bichos/ vão ensinando a gente:
Pra ter casa bonita,/ basta que se invente!

Cada um dá um jeitinho/ de ter sua morada.
Cada um tem uma ideia/ mais ou menos bolada.

Repare só como se faz/ o esperto passarinho,
Que cata palha por palha/ para fazer o seu ninho.

A aranha não se acanha./com seu novelo de linha
Trança onde quer sua teia,/ escolhe quem quer por vizinha.

O macaco, malandrinho,/ não quer saber de trabalho.
Escolhe uma boa árvore/ e logo se ajeita num galho.

O grilo mora na folha/ e eu grilo cá comigo:
Deve ser o único bicho/ que come o próprio abrigo.

Levando massa no bico,/trabalho o dia inteiro,
João-de-barro faz casa/ como se fosse pedreiro.

O caracol teve sorte/ não gastou tempo e dinheiro.
Nasceu com a casa nas costas/ e mora no mundo inteiro.

O castor é engenheiro./ faz barragem, faz represa.
Sua casa tem piscina./ não é mesmo uma beleza?

Casa é também proteção./ o tatu, que não é boboca,
Se vê inimigo por perto,/ já vai correndo pra toca.

A casa do marimbondo/ fica no alto, pendurada.
Se alguém chegar bem perto,/ cuidado, lá vem ferroada!

O sapo cava um buraco/ e uma cantoria entoa:
Vai chamando a namorada/ pra morar na sua lagoa!

E até debaixo d’água,/ morar bem é um desejo:
O peixe disputa a toca/ com o polvo e o caranguejo.

Há casas de todo tipo./ há casas de todo jeito.
Pra quem tem o seu cantinho/ não há lugar mais perfeito.

Mas a casa da abelha/ ninguém consegue igualar.
Com tanto mel e doçura,/ é um lar, doce lar!



Hardy Guedes Acoforado Filho
Ilustração de Mariângela Haddad
São Paulo: Scipione, 1997.

domingo, 4 de outubro de 2009

O amor em paz

Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz



Vinicius de Moraes

sábado, 3 de outubro de 2009

Ou Isto Ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Cecília Meireles